Dá para fazer delivery sem iFood. Você precisa de um lugar para o cliente pedir, de uma forma de receber o pedido e o pagamento, de uma entrega que funcione e de gente que saiba que a sua loja existe. Se você já vende no app, o caminho realista é não sair de uma vez: mantenha o app para conhecer cliente novo e monte um canal próprio para a recompra.
Marketplace, o app que reúne várias lojas em um lugar só, traz cliente novo. Canal próprio, que é o seu link de pedidos, o seu WhatsApp e o seu balcão, traz margem na recompra. Os dois podem conviver, desde que você respeite o contrato do app.
Marketplace e canal próprio podem conviver
| Ponto | Marketplace | Canal próprio |
|---|---|---|
| O que traz | Cliente que ainda não conhece você | Recompra de quem já conhece |
| O que você paga | Comissão e taxas do contrato | Sistema, taxas de pagamento e entrega |
| Entrega | Depende do plano contratado | Por sua conta |
| Contato com o cliente | Nas regras do app | Direto com você |
| Risco | Mudança de regra, de taxa ou de posição na lista | Pedidos dependem da sua divulgação |
O app resolve o que é difícil para uma loja pequena: aparecer para quem nunca ouviu falar dela. O canal próprio resolve o que pesa no app: pagar comissão de novo pelo cliente que já gostou e voltaria de qualquer jeito. A pergunta útil é quanto do seu movimento pode passar pelos seus canais sem perder a entrada de gente nova.
Faça a conta com a taxa do seu contrato
As taxas mudam de um contrato para outro, então use a sua. Procure o percentual no contrato, confira no repasse e use a calculadora para ver quanto vai para o app por mês e por ano.
Essa conta mostra o tamanho da comissão, não o que sobra. No seu canal entram custos que o app pode cobrir, como a entrega, além do desconto do cupom. Compare o que sobra em cada pedido. Para somar o custo do sistema, veja quanto custa um cardápio digital.
Como fazer delivery sem iFood em 5 passos
Você não precisa mandar fazer um aplicativo. Para começar, basta um link que o cliente abre no celular.
- Monte o cardápio. Organize categorias, produtos, fotos, preços e variações em um cardápio digital. PDF e foto no WhatsApp servem no início, mas deixam o pedido solto na conversa.
- Organize a chegada do pedido. No pico, conversa solta vira item errado e endereço incompleto. Veja como receber pedidos pelo WhatsApp já organizados.
- Defina área, taxa e prazo. Escolha até onde entrega, quanto cobra por bairro ou distância e um prazo que você cumpre na hora do pico.
- Decida como recebe. Pix evita troco e maquininha na porta. Se também aceitar dinheiro ou cartão na entrega, combine com o motoboy como ele leva troco e maquininha.
- Comece por quem já compra de você. Mande o link para quem pede por telefone ou WhatsApp e ajuste o que der errado antes de divulgar mais.
O que é um sistema de delivery próprio
É o conjunto que deixa você vender com o seu nome, fora do app: cardápio com link, pedidos organizados e pagamento. Na hora de escolher um sistema para delivery, veja se o preço é fixo ou se há comissão por pedido, porque isso define a margem da recompra. Confira também como o pedido chega e se você consegue mudar preço sozinho.
Se você ainda não está em nenhum app
Os passos são os mesmos, mas atrair cliente novo fica todo com você. Dê prioridade ao perfil no Google, ao Instagram e ao QR Code na loja, e comece com uma área de entrega pequena. Se depois de um tempo faltar gente nova, entrar em um app para ganhar alcance é uma decisão válida. Leia o contrato e faça a conta antes.
Alternativa ao iFood: quais são as opções
| Opção | Ajuda em | Limite |
|---|---|---|
| Outro app de entrega | Alcançar mais clientes novos | Costuma seguir a mesma lógica de comissão e regras |
| WhatsApp sem sistema | Começar com poucos pedidos | Pedido em conversa e erro no pico |
| Cardápio digital com link | Recompra com pedido organizado | Não traz cliente novo sozinho, e a entrega é sua |
| Aplicativo feito sob medida | Ter a marca na tela do celular | Custo para criar e manter, e o cliente precisa baixar |
Para uma loja pequena, a resposta costuma ser uma combinação: um app para gente nova e um link para quem volta.
Antes de divulgar, leia o contrato do app
Ter um canal próprio é uma coisa. Usar o pedido do app para divulgar esse canal é outra, e pode quebrar o contrato. Leia o seu antes de começar e confirme a versão que vale para a sua loja, porque as regras mudam e cada app tem as suas.
Os termos de parceiro do iFood atualizados em março de 2023, por exemplo, proíbem passar ao cliente, pelo pedido ou pelos canais de comunicação do app, telefone ou endereço virtual de outros canais de entrega, próprios ou de terceiros. Um cartão com QR Code para o seu link dentro desse pedido pode ser enquadrado aí. Os mesmos termos preveem penalidades como rebaixamento na lista, desativação temporária da loja e rescisão.
Por isso, evite:
- Pedir que o cliente saia do app durante um pedido feito lá, ou cancelar para refazer no seu link.
- Enviar link, telefone ou QR Code pelo chat do app ou dentro de um pedido de marketplace, se o contrato proibir.
- Usar telefone ou endereço que chegou com o pedido do app para mandar promoção. Esses dados servem para aquele pedido, e a LGPD também se aplica.
- Usar o nome ou a marca do app no seu material sem autorização.
Procure também no contrato por exclusividade e por regras de preço. Se você assinou exclusividade, confirme o que ela permite antes de abrir outro canal. Se quiser cobrar preços diferentes em cada canal, veja se o contrato fala disso. Este guia não substitui a leitura do contrato. Se ficar em dúvida, pergunte ao suporte do app por escrito ou a um advogado.
Nada disso impede você de cuidar da sua marca. Use o mesmo nome e a mesma logo no app, no Google e no Instagram. Quem gostar da comida e procurar a loja pelo nome vai encontrar o seu link nos seus perfis, sem que você tenha usado o pedido do app para isso.
Como levar o cliente para o seu link
Comece pelos espaços que são seus. As ações abaixo custam pouco e cabem na rotina de uma loja pequena.
Cartão com QR Code na sacola de entrega
Imprima um cartão pequeno com o nome da loja, o QR Code do seu link e uma frase direta, como “Da próxima vez, peça por aqui”. Coloque na sacola dos pedidos feitos no balcão, no WhatsApp e no seu link. Use o mesmo QR Code no balcão e na vitrine. Deixe esse cartão fora dos pedidos de marketplace, a menos que o seu contrato permita.
Cupom de recompra
Crie um cupom para o próximo pedido pelo seu link e divulgue no cartão, no status e no Instagram. Use um nome fácil de lembrar e um prazo curto, para o cliente não esquecer. Para definir o desconto, multiplique o pedido médio pela taxa do seu contrato. O resultado mostra quanto você paga ao app em um pedido assim. O cupom precisa custar menos que isso, já contando a entrega, se ela for sua.
Status do WhatsApp
Poste a oferta do dia com o link antes do pico e prefira foto real do prato a arte pronta. O status normalmente só aparece para contatos que têm o seu número salvo e que você também salvou, então peça aos clientes dos seus canais para salvar a loja e salve o número deles. Não mande promoção no privado para quem não pediu. Veja mais ideias em cardápio digital para WhatsApp.
Link no Instagram
Coloque o link na bio, com uma chamada clara como “Faça seu pedido aqui”. Use a figurinha de link nos stories quando postar uma oferta e fixe no perfil um post que explique como pedir. Quando alguém perguntar o preço por mensagem, responda com o link. No Facebook, faça o mesmo.
Perfil no Google (Google Meu Negócio)
O Google Meu Negócio hoje se chama Perfil da Empresa no Google. Cadastre a loja, confirme endereço e horário e adicione fotos reais. Coloque o seu link nos campos de cardápio e de pedido de comida e, se aparecerem links de terceiros, marque o seu como preferido. Peça avaliação a quem comprou, sem oferecer desconto ou brinde em troca, porque a política do Google proíbe esse incentivo.
Cuide da entrega própria
No seu canal, a entrega é sua, e ela pesa na decisão do cliente de pedir de novo.
- Prazo: prometa o que você cumpre no pico, não o que consegue em uma terça fraca.
- Área: comece pelos bairros que o motoboy alcança a tempo e amplie depois.
- Taxa: cobre por bairro ou distância e confira se o valor paga a corrida.
- Motoboy: combine horário e pagamento antes do pico e tenha um segundo contato para os dias cheios.
- Embalagem: separe quente e frio, feche bem e use lacre.
- Conferência: compare o pedido impresso com a sacola antes de sair.
- Atraso: avise pelo WhatsApp antes de o cliente perguntar.
Como saber se está funcionando
Uma vez por mês, anote quantos pedidos vieram do app e quantos vieram dos seus canais, e quanto sobrou em cada um. Veja se os pedidos do link crescem sem depender de desconto.
Só pense em reduzir o app quando três coisas forem verdade: o canal próprio traz pedidos toda semana, a entrega aguenta o movimento e a conta mostra que sobra mais. Se o app ainda é a sua principal fonte de cliente novo, sair dele corta essa entrada.
Onde o Pede Rápido entra
O Pede Rápido é um jeito de montar esse canal: um link próprio, pedidos no painel e no WhatsApp da loja e cupons para a recompra. O preço é fixo por mês, a partir de R$ 31,50 no plano anual, sem comissão por pedido, e você pode testar grátis por 30 dias. Veja os planos.
O Pede Rápido não tem integração com iFood. Os pedidos do app continuam no app, e os do seu link chegam no painel e no WhatsApp da loja.